Nostalgia

Nostalgia
'Com os idosos está a sabedoria, e na longevidade o entendimento.' Jó 12:12

14 de dez. de 2010

Musculação na terceira idade.


Com o avanço da idade, há uma tendência de perda de força e coordenação motora. Além do processo natural de envelhecimento, isso pode ter relação com a diminuição de atividade física ao longo dos anos, ou seja, se o músculo é pouco utilizado, o corpo começa a interpretá-lo como desnecessário e dispendioso, reduzindo a quantidade de massa muscular e, por consequência, gerando perda de força. Como o processo de “desconstrução” muscular nunca é interrompido, se o processo de reconstrução não for efetivo, a desconstrução do músculo prevalecerá, podendo provocar a sarcopenia, que é o estado de doença onde a massa muscular é insuficiente para realizar atividades cotidianas simples, causando distúrbios no metabolismo e perda de autonomia.
A manutenção e o aumento da massa muscular dependem de estímulos de força para ocorrer, ou seja, o corpo precisa “entender” que sua força está sendo insuficiente para executar alguma atividade, para desencadear um aumento de força muscular. Logo, a sobrecarga adequada é bem-vinda e necessária para a boa adaptação.
O mesmo acontece com a flexibilidade. Muitos relatam ficar “mais duros” com o avanço da idade. Nossos braços, pernas e tronco se adaptam ao tipo de movimentação que lhes é imposta. Quanto maior o grau de liberdade articular, mais preservada será a flexibilidade ao longo dos anos, o que é mais uma justificativa para utilizar alongamentos (nos momentos adequados) e movimentos com amplitudes máximas e pesos livres, como agachamentos profundos, crucifixos com halteres, levantamentos stiff. Esses são mais funcionais, pois são os mais próximos do nosso cotidiano, além de trabalharem equilíbrio (o que não ocorre na esmagadora maioria dos aparelhos), que também é uma necessidade iminente das pessoas na melhor idade.
O mesmo princípio vale para a degeneração do tecido ósseo, osteoporose e osteopenia. É necessária uma carga de impacto e força para estimular o osso a se regenerar.
Para estimular o músculo é necessário um impulso nervoso. Se este neurônio também não é muito solicitado, tende a degenerar com mais facilidade, o que pode causar perda do controle motor, tônus e equilíbrio, ocasionando quedas, que são freqüentes em idosos.

Melhoras no sistema neuromuscular

            Pesquisas recentes mostram que a musculação obteve sucesso no tratamento de doenças degenerativas do sistema nervoso central, como Parkinson, fazendo referência a melhoras nas conexões entre os neurônios já existentes e o surgimento de novos neurônios em níveis subcorticais, ou seja, o mesmo mecanismo que pode melhorar a coordenação motora e equilíbrio de um indivíduo idoso saudável.

Ganhos de força e massa muscular

            Em 94, foi conduzido um estudo no qual foi aplicado o treinamento de força de alta intensidade em idosos destreinados, comparando-os com adultos jovens também destreinados, sob o mesmo protocolo de treinamento, durante o mesmo período de tempo. Não houve diferenças significativas no ganho de músculos e de força entre os dois grupos. Os pesquisadores afirmaram que a diferença de evolução entre jovens e idosos, frequentemente observada nas academias, se deve por subestimar a capacidade dos idosos, que além de serem desencorajados e desestimulados pela sociedade acabam adotando eles mesmos essa postura negativa. Então, uma das funções do profissional de educação física é motivá-los, dentro dos preceitos da psicologia esportiva, a aplicar sua real capacidade, e mostrá-los que são capazes de fazer muito mais do que acreditam e assim desfrutarem dos benefícios que o exercício pode trazer.

Influência da força muscular na mortalidade, câncer e doenças degenerativas.

            O pesquisador Jonathan Ruiz, em um estudo de 2008 e outro de 2009, analisando amostras de mais de 10 mil indivíduos por tempos muito longos, concluiu que a taxa de mortalidade por causas gerais e cardiovasculares dos indivíduos mais fortes era menor que o dos outros indivíduos, mesmo corrigindo por fatores externos. No caso do câncer, afirmou que o treinamento de força diminui em muito a probabilidade de desenvolver a doença, mesmo em indivíduos com maior adiposidade abdominal, ou seja, muito provavelmente, as pessoas que realizarem bons trabalhos de força viverão mais e melhor, sejam idosos, crianças ou adultos.

Um comentário:

  1. É interessante saber que apesar de seu aspecto mais frágil, justamente para não o ser de fato é que os senhores e senhoras da terceira idade devem puxar ferro.
    =]

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